Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer.Mt.14:16
A narrativa do livro de Mateus foi escrita
para os judeus, é o que dizem os estudiosos e exegetas. Percebe-se em cada
detalhe desse livro, a menção do escritor à várias passagens da cultura
judaica, como por exemplo em Mt.15:2 quando é citado o hábito de lavar as mãos.
No livro de Mateus a riqueza de conteúdo pode ser observada como o cuidado que
Ele tinha com o povo eleito. A cristologia de Mateus é evidenciada através das
citações reflexivas que permeiam todo o texto do livro. O título de Filho de
Davi, só é empregado por Mateus com esta ênfase.
No texto a que se refere o versículo
acima, é citado como mais um dos milagres efetuados por Jesus, a multiplicação
dos pães, foco de nossa reflexão, embora nesse mesmo capítulo verificamos outro
milagre de Jesus: a onipotência de Deus acalmando uma tempestade. Parece que a
narrativa de Mateus tão detalhada com a fé judaica e seu longo relacionamento
com Deus, como povo escolhido por Ele, é a tônica por trás da esperança contida
no Messias prometido.
O exemplo aos discípulos
Os discípulos vinham de uma caminhada com
o Mestre, possivelmente estavam cansados e com fome. Já era tarde quando eles
aproximaram de Jesus dizendo: “..O lugar é deserto, e a hora é já
avançada; despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para
si. Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer.
Mateus 14:15-16.
Esse versículo sempre me impressionou pela
forma como foi dita por Jesus. É como se estivesse testando seus discípulos na
hora certa e no local exato. Uma de suas características era ensiná-los algo
que seria indispensável para suas vidas. Na oportunidade Jesus queria mostrar o
quanto dEle os discípulos haviam aprendido. Era como se fosse uma prova prática
do discipulado cristão, como se alguém chegasse para você com fome e sede
espiritual e você tivesse que alimentá-lo. Imaginemos por um momento o seguinte
diálogo:
- Olá Antonio tudo bem contigo?
- Não estou nada bem, um vazio percorre
minha alma, perdi meu emprego, minha esposa foi embora com meus filhos, e não
consigo sair dessa depressão, não sei mais o que fazer, já pensei até dar cabo
da minha vida. João, você pode me ajudar?
- Bem, veja eu vou fazer alguns contactos,
vou procurar o pastor da minha igreja, ou talvez o líder de célula, e você me
espera, não faça nada que eu já lhe trago uma solução.
- João, pode ser tarde, eu estou muito
mal...
- Antonio faça o seguinte: se não
conseguir falar com ninguém, me espera aqui que eu vou orar por você, vai dar
tudo certo, me aguarde.
Como aguardar numa situação dessas? O que
você faria para ajudar o Antonio, qual seria sua atitude?
Sem dúvida a atitude correta seria abrir o
coração e alimentar aquele faminto, esse passo deveria ser o resultado esperado
de um discipulado eficaz. Foi isso que o Mestre queria que eles aprendessem!
A Palavra de Deus, quando usada para o seu
verdadeiro significado, é alimento, e pode salvar o perdido. Se ao invés disso
não usarmos a mesma como tal, seremos como a figueira sem frutos, Mt.21:19
aparência de salvo, mas sem condição de ser chamado cristão, de quem segue a
Cristo.
Por outro lado, os discípulos deveriam
saber que o resultado do milagre não era nada para que eles pensassem em
estarem possuídos por algum poder. Esse poder dado por Cristo era para mostrar
que ligados nEle, e sob Sua vontade, poderia acontecer o milagre. Assim é a
Igreja, em Cristo faremos proezas! Sl.119:13, somente nEle e nada mais! Jamais
podemos pensar que qualquer bondade que praticamos ao nosso semelhante, é
resultado de nossa condição de santidade, ou de nosso status na sociedade, ou
ainda porque somos piedosos e “bonzinhos”. Nada disso!
Deus atenta para os frutos somente quando
a árvore está ligada nEle. Como diz: “Eu sou a videira, vós as varas;
quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis
fazer”.João 15:5. Se você recebe um dom, e o divulga, não pense que é
merecedor de receber alguma coisa, ou galardão, mas sim de ser apenas obediente
ao que Deus requer de nós, e através dessa atitude a Graça de Deus trabalha a
nosso favor, e como ela é maravilhosa! Fomos chamados para evangelizar,
transmitir as boas novas da Graça de Deus, e só fazemos porque Ele colocou Seu
amor em nossos corações. Não existe melhor momento para sermos discipuladores
do que esse que estamos vivendo hoje. A Palavra diz: “Eis que vêm dias,
diz o Senhor DEUS, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem
sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR”. Amós 8:11
O que recebemos de Cristo, através do
sangue derramado na cruz do Calvário, assim como o preço da sua redenção ao
qual Ele pagou para tornarmos portadores dessa Graça, deve ser entendido como
uma dádiva, e não uma obrigação. “Curai os enfermos, limpai os
leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de
graça daí”.Mateus 10:8. Portanto somos servos da justiça e não senhor,
somos como vasos nas mãos do oleiro, somos discípulos e não mestre, e devemos
servi-Lo como vasos de honra em sua casa, onde nossa vontade deve ser em
agradar Aquele que é a razão de nossa existência, o fluir das águas em nossas
vidas.
Louvor, Glória e Honra, pertencem ao
Senhor, Rei dos Reis e Senhor dos Senhores!
Marcio Estanqueiro

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