segunda-feira, 21 de setembro de 2020

O milagre da multiplicação






Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer.Mt.14:16

 

A narrativa do livro de Mateus foi escrita para os judeus, é o que dizem os estudiosos e exegetas. Percebe-se em cada detalhe desse livro, a menção do escritor à várias passagens da cultura judaica, como por exemplo em Mt.15:2 quando é citado o hábito de lavar as mãos. No livro de Mateus a riqueza de conteúdo pode ser observada como o cuidado que Ele tinha com o povo eleito. A cristologia de Mateus é evidenciada através das citações reflexivas que permeiam todo o texto do livro. O título de Filho de Davi, só é empregado por Mateus com esta ênfase.

 

No texto a que se refere o versículo acima, é citado como mais um dos milagres efetuados por Jesus, a multiplicação dos pães, foco de nossa reflexão, embora nesse mesmo capítulo verificamos outro milagre de Jesus: a onipotência de Deus acalmando uma tempestade. Parece que a narrativa de Mateus tão detalhada com a fé judaica e seu longo relacionamento com Deus, como povo escolhido por Ele, é a tônica por trás da esperança contida no Messias prometido.

 

O exemplo aos discípulos

 

Os discípulos vinham de uma caminhada com o Mestre, possivelmente estavam cansados e com fome. Já era tarde quando eles aproximaram de Jesus dizendo: “..O lugar é deserto, e a hora é já avançada; despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si. Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer. Mateus 14:15-16.

 

Esse versículo sempre me impressionou pela forma como foi dita por Jesus. É como se estivesse testando seus discípulos na hora certa e no local exato. Uma de suas características era ensiná-los algo que seria indispensável para suas vidas. Na oportunidade Jesus queria mostrar o quanto dEle os discípulos haviam aprendido. Era como se fosse uma prova prática do discipulado cristão, como se alguém chegasse para você com fome e sede espiritual e você tivesse que alimentá-lo. Imaginemos por um momento o seguinte diálogo:

 

- Olá Antonio tudo bem contigo?

- Não estou nada bem, um vazio percorre minha alma, perdi meu emprego, minha esposa foi embora com meus filhos, e não consigo sair dessa depressão, não sei mais o que fazer, já pensei até dar cabo da minha vida. João, você pode me ajudar?

- Bem, veja eu vou fazer alguns contactos, vou procurar o pastor da minha igreja, ou talvez o líder de célula, e você me espera, não faça nada que eu já lhe trago uma solução.

- João, pode ser tarde, eu estou muito mal...

- Antonio faça o seguinte: se não conseguir falar com ninguém, me espera aqui que eu vou orar por você, vai dar tudo certo, me aguarde.

 

Como aguardar numa situação dessas? O que você faria para ajudar o Antonio, qual seria sua atitude?

 

Sem dúvida a atitude correta seria abrir o coração e alimentar aquele faminto, esse passo deveria ser o resultado esperado de um discipulado eficaz. Foi isso que o Mestre queria que eles aprendessem!

 

A Palavra de Deus, quando usada para o seu verdadeiro significado, é alimento, e pode salvar o perdido. Se ao invés disso não usarmos a mesma como tal, seremos como a figueira sem frutos, Mt.21:19 aparência de salvo, mas sem condição de ser chamado cristão, de quem segue a Cristo.

 

Por outro lado, os discípulos deveriam saber que o resultado do milagre não era nada para que eles pensassem em estarem possuídos por algum poder. Esse poder dado por Cristo era para mostrar que ligados nEle, e sob Sua vontade, poderia acontecer o milagre. Assim é a Igreja, em Cristo faremos proezas! Sl.119:13, somente nEle e nada mais! Jamais podemos pensar que qualquer bondade que praticamos ao nosso semelhante, é resultado de nossa condição de santidade, ou de nosso status na sociedade, ou ainda porque somos piedosos e “bonzinhos”. Nada disso!

 

Deus atenta para os frutos somente quando a árvore está ligada nEle. Como diz: “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”.João 15:5. Se você recebe um dom, e o divulga, não pense que é merecedor de receber alguma coisa, ou galardão, mas sim de ser apenas obediente ao que Deus requer de nós, e através dessa atitude a Graça de Deus trabalha a nosso favor, e como ela é maravilhosa! Fomos chamados para evangelizar, transmitir as boas novas da Graça de Deus, e só fazemos porque Ele colocou Seu amor em nossos corações. Não existe melhor momento para sermos discipuladores do que esse que estamos vivendo hoje. A Palavra diz: “Eis que vêm dias, diz o Senhor DEUS, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR”. Amós 8:11

 

O que recebemos de Cristo, através do sangue derramado na cruz do Calvário, assim como o preço da sua redenção ao qual Ele pagou para tornarmos portadores dessa Graça, deve ser entendido como uma dádiva, e não uma obrigação. “Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça daí”.Mateus 10:8. Portanto somos servos da justiça e não senhor, somos como vasos nas mãos do oleiro, somos discípulos e não mestre, e devemos servi-Lo como vasos de honra em sua casa, onde nossa vontade deve ser em agradar Aquele que é a razão de nossa existência, o fluir das águas em nossas vidas.

 

Louvor, Glória e Honra, pertencem ao Senhor, Rei dos Reis e Senhor dos Senhores!


Marcio Estanqueiro


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