E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres
debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de
sarar. Mateus 8:8
Cafarnaum situava-se a noroeste do Mar da Galiléia. O significado do seu
nome quer dizer vila de Naum. Era conhecida como a cidade de Jesus, pois era
ali que o Mestre havia fixado residência durante um período do seu ministério.
Mt.4:13 Uma outra característica de Cafarnaum era de possuir uma coletoria
Mt.17:24, possuía também uma representação do exército romano e uma sinagoga.
Mc.1:2 Sem dúvida era considerada uma cidade muito importante daquela época.
Em Cafarnaum Jesus ensinou com muita freqüencia, tanto na sinagoga
quanto no meio das ruas e até na beira do lago o povo, e seus discípulos que o
acompanhavam. Ainda assim, esta cidade foi duramente exortada por Jesus por causa
de sua incredulidade. O Senhor chegou a dizer que se os mesmos milagres feitos
em Cafarnaum tivessem sido realizados em Sodoma, a cidade não teria sido
destruída.
Foi exatamente nesta cidade considerada incrédula, que Jesus
maravilhou-se da fé de um centurião do exército romano. A fé desse homem, do
qual nem o nome sabemos, foi capaz de mudar a forma de agir das pessoas que o
cercavam e produzir um ambiente favorável à bondade e ao amor de Deus.
Eu vejo com destaque quatro características importantes nesse milagre
operado por Jesus, que vale a pena serem observados.
Em primeiro lugar houve por parte do centurião o que deveria e deve
haver em todo aquele que se aproxima de Jesus: HUMILDADE.
Não podemos receber nenhum favor ou milagre de Deus se não nos acharmos
na posição, de dependência. É difícil para o homem natural aceitar que se
encontra em “desobediência” a Deus ou, na posição de pecador sem
arrependimento, e sem ter contato com o Criador. Dessa forma como Ele poderá
atender a nossos pedidos? Como diz a Palavra em Is.59:2 “Mas as vossas
iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados
encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça”. Deus não pode escutar o
seu pedido, ainda que Ele conheça a sua dor, o seu sofrimento, Ele precisa
saber se você quer ser seu dependente. É preciso abrir a porta do coração,
quebrar o muro da indiferença e aceitar a sua Graça transbordante, para que a
sua intervenção miraculosa possa chegar até você. E isso só se faz com
humildade!
Foi o que fez o centurião!
Homem de posição no exército romano, chefe de uma centúria (100 homens)
o equivalente hoje em nosso exército como ao cargo de capitão. Possuía como
todas as pessoas ricas, autoridades da época e militares, escravos e servos que
existiam para os servir, porém esse homem era diferente, ele tinha um coração
quebrantado. Diz a Palavra que ele se compadeceu do seu criado, pois estava
muito doente. Em Mt.8:6 diz que o seu servo estava “... violentamente
atormentado”, em Lucas é descrito como um moribundo, ou seja, somente um
milagre para restituir-lhe a vida.
Seria natural se o centurião descartasse esse seu servo e tomasse outro
para continuar a servi-lo, mas esse homem era diferente. Nele não havia
preconceito nem barreiras sociais, muito menos fazia acepção de pessoas, pois
também isso poderia ser um grande obstáculo na realização do milagre, já que a
fé não poderia nem pode conviver com esse tipo de atitude, mas ele foi até aos
anciãos judeus da sinagoga, templo esse que ele também havia ajudado a
construir, pedindo-lhes que fosse até Jesus e pedisse a Ele para curar o seu
servo. Que atitude maravilhosa!
Sem dúvida um homem bom, generoso, mas que reconhecia a autoridade do
Filho de Deus! Já tinha ouvido falar do que Jesus havia feito em Cafarnaum, os
milagres que Ele havia operado como a cura do paralítico que levou a sua cama
do jovem liberto de possessão demoníaca, enfim sua fé certamente estava sendo
colocada verdadeiramente na pessoa certa.
A segunda característica que possuía o centurião era: FÉ.
Está escrito:“..dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar”.
Mateus 8:8 Para aquele homem não precisaria a presença do Mestre, apenas a Sua
palavra haveria de sarar o seu servo. Não havia nada que deixasse Jesus mais
satisfeito, do que a fé em sua pessoa. Em Lc.7:9 diz: “..maravilhou-se dele, e
voltando-se, disse à multidão que o seguia: Digo-vos que nem ainda em Israel
tenho achado tanta fé”.
Vejam como Jesus ficou satisfeito com a atitude do Centurião! Se
contarmos os milagres que Jesus realizou em seu tempo, certamente não veremos
uma atitude tão espontânea quanto essa que Ele mesmo testifica quanto a fé do
centurião. Aquele homem não era somente um homem bom, generoso, ele havia
depositado sua fé corretamente, ele havia depositado sua fé em Jesus! Quantas
pessoas dizem ser boas, generosas, mas aplicam sua fé em quem não pode realizar
milagres, em quem não pode responder aos anseios de sua alma aflita.
No afã de termos nossos problemas resolvidos, quantos de nós, homens e mulheres
simples ou ricos já não fizemos de tudo para alcançarmos aquilo que tanto
queríamos? E fomos respondidos? Talvez sim, talvez não, porém uma certeza fica,
para termos resposta de Deus e milagres em nossas vidas somente teremos se a fé
for depositada nÊle, em Jesus Cristo! Como está escrito: “Olhando para Jesus,
autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a
cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus”.Hb.12:2
Sim, Jesus é, não somente o autor, mas também o consumador de nossa fé! Ele fez
o que estava proposto para nos dar vitória total sobre a morte, sobre o pecado,
e sobre tudo aquilo que nos aflige, e hoje está assentado à destra no trono de
Deus, intervindo por mim e por ti.
A terceira característica que solta aos olhos e vejo no centurião é
o
AMOR . O amor no coração do centurião impulsionou-o a fé no
milagre que Jesus poderia realizar no seu servo. Um coração amoroso
é a evidência de uma pessoa que está totalmente conectada com Deus, com o
criador e com quem ama o seu próximo como fez o centurião. É quase impossível
alguém que pense somente em si, e tenha comunhão com o Pai se não demonstrar
amor e honra por aquele que está ao
seu lado, mesmo que este seja seu inimigo ou um dos seus servos, como diz a
Palavra em Rm.12:9-19 “O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos
ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos
em honra uns aos outros”. Estamos vivendo tempos sombrios, onde o amor está
esfriando entre a humanidade. É triste ver tantos atos de ódio, covardia e
desamor. Será que Deus criou o homem dessa forma? A Bíblia é clara quando fala
que um coração sem Cristo, sem a Paz de Deus é capaz de qualquer coisa, pois
quem conduz as suas atitudes não é o Senhor. Deus nos deu liberdade, escolha e
livre arbítrio, só podemos caminhar com Ele em nossos corações, em nossas
vidas, quando entregamos esse próprio coração para sua morada, como diz:
“Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará,
e viveremos para ele e faremos nele morada.” Porém quando o homem escolhe viver
longe do criador, sua vida será moldada por esse mundo, por uma sociedade que
expulsou Deus de sua vida e de seus atos.
A quarta característica que vejo também nessa passagem é a: OBEDIÊNCIA. Está
escrito: “Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados sob
o meu poder, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu
servo: Faze isto, e ele o faz.Lucas 7:8 O centurião não só demonstrou ser um
homem obediente, como também demonstrou respeito as hierarquias. Creio não
haver lugar maior onde exista organização, planejamento e hierarquia do que no
céu, no Reino de Deus. Alguns poderão até se espantar: como assim, no céu?
Existem pessoas que acham que a vida existe somente nesse plano em que vivemos,
e que tudo que pudermos fazer para alimentarmos nosso “eu”, nossos apetites
carnais está correto, são os hedonistas. Mas, existe um prazer maior que é
encontrado nas escrituras sagradas, que é a comunhão e o amor do nosso Pai
celeste.
O centurião enxergou em Cristo, o que muita gente não enxerga: Uma
grande autoridade! E, sem o conhecer, sabia que apenas com atitude da sua voz
seria capaz de curar o seu servo. Ele estava acostumado com sua autoridade,
sabia que tudo se movimentava com relação a uma “escala de poder”. Não é assim
também no Reino de Deus? A Bíblia diz que estamos sujeito a autoridade,
primeiramente aos nossos pais no Senhor, como filhos, os pais não devem
provocar a ira aos seus filhos, e os servos devem ser obedientes aos seus
senhores, assim como os senhores fazendo o mesmo com eles, sabendo que Deus
está no céu, conforme. Ef.6:1-10, e mais ainda, no vv 12: “Porque não temos que
lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades,
contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da
maldade, nos lugares celestiais”. Existe hierarquia no mundo espiritual, mas
isso é outro assunto.
Para o homem natural é muito difícil a obediência, existem vaidades,
presunções e outras características que impedem de alguém seguir normas de
obediência, porém a obediência leva a liberdade em Cristo, e isso só
experimenta quem está firmado nEle. Ef.2:6 Essa obediência geralmente faz parte
da cultura de cada povo, quebrar essa barreira é muito difícil, a rebeldia está
sempre presente, mas Deus nos dá Graça!
O que é importante observar nessa passagem das Escrituras, é que para
receber o milagre, o centurião de Cafarnaum possuía a humildade, o
reconhecimento de sua posição perante Deus, a fé verdadeira em quem deveria
depositar, ou seja, no Filho de Deus, o amor não fingido, mas verdadeiro e a obediência a sua Voz, confessando a
sua disposição em fazer a sua vontade e segui-lo. Esses são pois, marcos na
vida cristã que todos nós precisamos observar, se realmente quisermos viver uma
vida de transformação, uma vida de milagres na presença de Deus!
Marcio Estanqueiro