Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Tiago 4:7
Uma das melhores comparações que podemos fazer entre a vida espiritual dos filhos de Deus que permanecem fiéis, e as ofertas e artimanhas que o inimigo de nossas almas oferece aos cristãos, são aquelas que não despertam nenhuma desconfiança, ou melhor, que são vistas como algo extremamente bom, e à vista de todos não suscita nenhum perigo.
Nesse contexto, me vai a lembrança uma das maiores batalhas de todos os tempos que já tomei conhecimento. A batalha entre gregos e troianos, a Guerra de Tróia. De um lado os gregos através do seu rei Menelau, e do outro lado os troianos, representados por Páris. Uma guerra que durou dez anos, pela paixão de um homem instigado pelo “inimigo”, que desejou a mulher alheia, Helena.
Conta a história, segundo Homero, que tudo começou quando o Príncipe de Troia, Páris, instigado pela deusa Afrodite raptou Helena, a mais bela das mortais e esposa de Menelau, rei de Esparta. Menelau, por sua vez, reuniu o exército grego e atacou Troia com o intuito de vingar-se de Páris e recuperar a esposa. Depois de muito tempo de guerra, os dois exércitos haviam perdido os seus principais guerreiros. Pelo lado de Troia, o príncipe Heitor, comandante do exército troiano, e o próprio Páris que também pereceu na luta. Os gregos, só conseguiram penetrar na cidade, para tomar de volta a bela Helena, graças a “astúcia” do rei.
O Cavalo de Tróia
No relato de Homero, os micênicos construíram um gigantesco cavalo de madeira e o deixaram às portas da cidade rival. Os troianos aceitaram o “presente” como uma proposta de paz. Mas eles nem imaginavam que dentro da falsa oferenda estavam os melhores guerreiros inimigos, que abririam os portões de Tróia, decretando seu fim. Foi uma jogada de astúcia do inimigo, pois o cavalo era oco. Em 1Pe.5:8 diz: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar" .
O objetivo do inimigo de Deus é um só: a derrota da Igreja, individualmente representada por cada cristão. Existe uma verdadeira batalha espiritual contra os filhos de Deus, que somente será vencida, se cada um de nós individualmente conhecer exatamente com quem estamos lutando, e quais são as suas armas. Aquele que já está numa batalha precisa conhecer as principais armas do seu inimigo para não ser pego de surpresa. Vivemos numa verdadeira batalha espiritual, onde fazer a vontade de Deus requer de nós um compromisso cada dia maior com a verdade do evangelho. Não podemos brincar de ser cristão, pois a falta de conhecimento e discernimento espiritual pode ser a nossa derrota. É preciso vigiar.
Geralmente as sutilezas do inimigo estão onde nunca esperamos. Se você é jovem, ela pode estar no meio em que você passa o maior tempo do seu dia, na faculdade, no trabalho, na academia, enfim é preciso ter em mente que embora façamos parte de um grupo social, seja ele qual for, nosso modo de viver deve ser diferente do que o mundo pensa ser o certo. Aliás, o que não é certo hoje para o mundo? Existe hoje uma filosofia do Relativismo que eu considero totalmente herética e diabólica, pois nega Deus como um ser absoluto. Para tais pessoas tudo é relativo. Como disse Protágoras "o homem é a medida de todas as coisas, cada um de nós, é juiz daquilo que é e daquilo que não é”. Dessa forma a sociedade não tem compromisso nenhum com a moralidade, com a ética e com Deus. Tudo pode estar certo e relativo dentro da visão de mundo atual, e muito longe da cultura cristã ou melhor dizendo da Palavra de Deus. Como diz João em seu evangelho, o mundo nos odeia. Jo.15:19.”Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia.”
Nesses dias estava meditando sobre a importância de uma palavrinha que pode ser escrita no meio de uma frase, mudando todo sentido e favorecendo a uma interpretação totalmente errada, transferindo responsabilidades para terceiros e justificando desmandos e consequências errôneas. O “mas” como Conjunção Coordenativa Escusativa prepara a escusa, a desculpa e transfere responsabilidades para terceiros. Por exemplo: “O sujeito morreu no assalto, “mas” estava usando um relógio Rolex e dirigindo com o vidro aberto. A moça foi estuprada, “mas” estava usando uma saia curtíssima. Ela precisou fazer o aborto, “mas” em compensação salvou seu casamento. Percebe como a justificativa dos erros anteriores dá um tom de compensação de ter praticado erros ainda maiores atuais? Essa e outras sutilezas são ditas a todo instante em qualquer ambiente, em qualquer classe social. É preciso ter uma posição firme e convicta para não ser envolvido por essas armadilhas, pois na sociedade em que vivemos os valores estão completamente invertidos.
O que devemos fazer?
“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.” Efésios 6:10-11
Só existe uma atitude que devemos tomar para que possamos vencer a nossa batalha espiritual: RESISTIR. Quando somos alvos de algum “presente de grego” a primeira impressão que devemos ter é de desconfiança. Por que essa bandeja tão atrativa? Para que tantos presentes se não existem comemorações? Precisamos do discernimento espiritual nessa batalha, imprescindível a toda Igreja. A vida cristã é vivida pela Graça de Deus, e nela alcançamos a verdadeira esperança quando andamos em Cristo. Diz a Palavra que devemos entrar nos céus pela porta estreita e por um caminho apertado, Mat.7:13-14 suscitando assim que não é fácil viver a vida. O apóstolo Paulo dizia que “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”. I Cor.15:19. Pela fé aguardamos uma nova vida, incorruptível, longe dos pecados e mazelas desse mundo! Portanto as várias tentações que o mundo nos oferece, induz a fazermos escolhas, e ainda que possa parecer “loucura” aos olhos dos homens, sabemos que elas para nós produzem um peso eterno de glória mui excelente. Em nossas tribulações o Criador aproveita para aperfeiçoar nosso caráter e nossa fé. Comemoremos pois, o melhor presente que Deus nos deu, não um presente falso, um presente que gera morte, mas aquele que conduz a vida eterna, que produz o genuíno amor em nossos corações e torna a nossa vida aqui, um pedacinho do céu. A comparação daqueles que são enganados com outros presentes, fica muito aquém das tribulações que passamos nesse mundo, como diz Paulo: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada”. Rm.8:18 Bendita glória, que alegra nossos corações!
Marcio Estanqueiro

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